MANIFESTO AOS ASSOCIADOS DA CASSI
“UM SONHO QUE SONHAMOS JUNTOS”
UM CONVITE À REFLEXÃO
A CASSI foi um sonho sonhado junto por vários colegas, há mais de sessenta anos, e que teve por escopo um nobre princípio: a solidariedade. “Quem pode mais, paga mais”. O objetivo planejado era um só: atenção à saúde qualificada e igualitária. Diz-se que um sonho sonhado junto tem mais possibilidade de se realizar. E o nosso sonho não acabou. Continuamos sonhando juntos, para que a Cassi se perpetue.
Nós somos associados da Cassi. E vamos mais além. Nós somos do Conselho de Usuários da Cassi. Estribados nesta última colocação, sentimo-nos no desagradável dever de nos fazer presentes ante o digno corpo associativo da nossa entidade, para expender algumas considerações que estão batendo frontalmente contra os sadios propósitos que nortearam a sua criação e, por conseqüência, a dos vários Conselhos de Usuários disseminados pelo país.
Vamos nos ater, aqui, mais precisamente ao que se passa em relação à Unidade do Espírito Santo, de quem ainda encontramo-nos imbuídos do dever de condignamente representar.
Esforços extenuados vêm nos impelindo a levar avante a honrosa missão para a qual este Conselho foi eleito. Todavia, muito a contragosto, estamos aqui para dizer-lhes que os nossos esforços têm sido baldados, ante o desencanto que vem, silenciosamente, rondando as nossas posições e também ante o descrédito e o desprestígio a que são submetidos os Conselhos junto aos órgãos diretores da Cassi.
Sentimos, de certo tempo a esta parte, que esse descrédito e esse desprestígio já integram cotidianamente o cardápio dos altos órgãos diretores da Cassi, pois sequer, à guisa de um exemplo apenas, se dignam oferecer retornos epistolares às nossas reivindicações e aos nossos postulados, sem que providências efetivas sejam tomadas.
Somos forçados, entretanto, a nos quedar ante a evidência de que a nossa Cassi passou à condição de vítima, num processo recente pelo qual o patrocinador, o Banco do Brasil, a submeteu a um estágio de estrangulamento, por conta do “enxugamento” ao qual o Banco se entregou avidamente, em clara amostragem de que o seu objetivo era o de deixar o caminho livre para uma eventual privatização.
Esse movimento ganhou força a partir de 1996 no programa de reestruturação encetado pelo Banco denominado “O BANCO DO BRASIL NA HORA DA VERDADE”, resultando em “resultados auspiciosos” para o seu ativo, dentre os quais podemos destacar:
- Redução na folha de pagamento em decorrência da não concessão de reajustes salariais a contar de 1.995;
- Instituída a rotatividade da mão-de-obra (tum over), o Banco foi o que mais demitiu, sem justa causa, no exercício de 1.996: MÉDIA DE 56 DEMISSÕES DIÁRIAS;
- O sistema de “remuneração variável” substituiu, catastroficamente, o consagrado Plano de Cargos e Salários, orgulho e ambição de tantos quantos almejavam a carreira de bancário do BB, que por décadas se constituiu num repositório de inteligências privilegiadas, cujas marcas estão cravadas nos anais da história deste Banco de duzentos anos.
Na esteira dessas desastrosas medidas, foi patente o reflexo que veio pousar nos escaninhos da Cassi. Reformados os seus Estatutos, “a mando do banco”, emergiram, de pronto, medidas “saneadoras” logo implantadas, “sob a bandeira do Banco”, as quais se constituíram em:
- Redução no valor da contribuição patronal e ELEVAÇÃO na dos associados;
- Transferência para a Cassi das folhas salariais e encargos dos funcionários lotados no CEASP e DEASP;
- Transferência das folhas salariais e encargos dos funcionários que até então estavam cedidos à Cassi, sem ônus para esta;
- Desobrigou-se de suas responsabilidades em relação aos dependentes, inclusive os indiretos;
- Transformou a Cassi em empresa e passou a cobrar-lhe aluguel pela ocupação de suas dependências.
Em função das intempestivas medidas acima e após três anos de convivência com essa nova modalidade operacional, os auditores independentes, ao fim desse período, houveram por bem exarar “PREOCUPAÇÕES QUANTO À POSSIBILIDADE DE A CASSI CONTINUAR AS SUAS OPERAÇÕES”.
Infere-se daí, facilmente, que a prática dessas medidas veio a influir, de modo contundente, na delicada situação por que a Cassi experimentou – e, quiçá, ainda experimenta – deixando a todos nós, associados e assistidos, com uma acentuada dosagem de preocupação.
Na rota e no desejo de passar algumas informações aos nossos associados, temos também a necessidade de levar à cúpula da Cassi os exaustivos anseios que todos nós, assistidos, vimos clamando, em vão, aos ventos soltos, quais sejam:
- A abolição do processo não desejável do nocivo distanciamento vigorante entre a Cassi e os seus associados;
- A consagração de que a Cassi não se constitui em um plano de saúde voltado para a obtenção de lucros, porquanto, no contexto em que ela se encontra, o objetivo principal é o de assistir os funcionários do Banco do Brasil e seus dependentes;
- Alheiamento sobre decisões que são tomadas, à distância do corpo social, e à revelia deste, que possam ir de encontro aos interesses daqueles que, de certa forma, se “passam” pela singela designação de “somos os donos da Cassi”;
- Apesar de institucionalizado, reina uma certa insatisfação em relação à exata definição do papel do Conselho de Usuários, sabido que lhe é imputado o mister de interface no binômio “Cassi-Usuários”, conforme estatuto em vigor;
- Impõe-se que a “Nova Estrutura Organizacional” contemple a ampliação e o desenvolvimento do “Modelo de Atenção Integral à Saúde”, em obediência à exigência da parte patrocinadora para o aporte dos trezentos milhões de reais;
- Impõe-se saber, também, se esse aporte – cuja metade já foi injetada nos cofres da Cassi – está sendo devidamente conduzido às metas previamente definidas e se está devidamente equacionado o escalonamento das parcelas restantes.
- A ampliação e a melhoria no programa Estratégia Saúde da Família não têm refletido na unidade local, que faz “das tripas coração” para continuar atendendo condignamente aos associados, apesar da redução e da alta rotatividade do quadro funcional.
No que concerne à unidade local, impende-nos, a propósito, fazer algumas abordagens, como sejam:
- À falta de uma consistente política de cargos e salários, nota-se , como dito acima, grande rotatividade no seu quadro de pessoal, tanto de funcionários, quanto de estagiários. É bem de ver, a desistência tem como decorrência a busca de horizontes mais promissores;
- As promessas de campanha estão por toda parte e delas a Cassi não escapou. Alardeou-se, por ocasião da pré-temporada eleitoral visando à reforma dos Estatutos e conseqüente eleição dos atuais dirigentes, que uma das metas prioritárias seria a implantação do Plano Odontológico e a Política Farmacêutica. Ensejando um raciocínio de que a delonga na execução de tão salutares medidas constitui-se em mais um descaso da Cassi em relação aos seus associados e assistidos, tem-se como procedentes os reclamos que constantemente batem às portas deste desprestigiado Conselho, relativamente a essa promessa não cumprida;
- Trazendo a matemática para o arrazoado dos não-benefícios que a Cassi-Vitória tem distribuído, estamos “adicionando” a “diminuição” promovida na carga horária dos médicos ali lotados, com evidentes prejuízos para tantos quantos demandam em busca de serviços profissionais especializados, valendo ressaltar que o maior contingente está nas pessoas dos aposentados e pensionistas, muitos dos quais em idades avançadas.
- Um dos mais sérios dissabores por que estão passando os associados diz respeito ao agora público episódio da falta de alvará de funcionamento para a Cassi-Vitória. Tal documento, de cunho legal, e que é expedido pela Prefeitura da Capital, não se acha afixado no quadro de avisos da nossa Unidade, pelo menos ao tempo em que coligíamos elementos para a elaboração deste documento;
- Ao lado dessa possível ilegalidade, vieram as conseqüências: a Vigilância Sanitária da Prefeitura “lacrou” o balcão de distribuição de medicamentos que há anos vinha funcionando a contento e, como é sabido, oferecia incalculáveis benefícios para os que dependem do uso contínuo de remédios receitados. O reflexo está nos colegas menos favorecidos pela sorte, muitos dos quais sem a mínima condição de despender recursos próprios para cobrir tais gastos, geralmente elevados;
- De par com esse ingrato desfecho, está mais um e, como que abrindo um parêntese, estaria a merecer um destaque todo especial, voltado que se acha para o lado emergencial de qualquer procedimento cirúrgico: a transfusão do sangue humano. Entendemos que não se pode a isso denominar um ato de crueldade da Cassi, que não cobre esse tipo de atendimento, ou se o faz, cinge-se a modestos ressarcimentos de liberação demorada. Faz-se mister um criterioso remanejamento nesse conceito e, aqui, deste Conselho de Usuários, estaremos a postular que a Cassi estabeleça um convênio com os chamados “Bancos de Sangue” e, dest’arte, se veja infiltrada no honrado rol das entidades que, num país como o nosso, de baixa renda “per capita”, pomposamente podem alardear: “Nós trabalhamos pela vida”.
Ao término desta “prestação de contas” aos colegas associados, afiançamos que vamos desenvolver gestões para levar este nosso posicionamento à alta cúpula dirigente da Cassi, do que estaremos dando conta se daí advier a ressonância esperada, permitimo-nos transcrever, a seguir, a colocação que nos veio ter às mãos através da unidade congênere da Bahia: “CONVIVEMOS COM PESSOAS QUE LUTAM PARA QUE AS COISAS ACONTEÇAM, COM PESSOAS QUE NÃO DEIXAM QUE AS COISAS ACONTEÇAM E COM PESSOAS QUE PREFEREM O ANONIMATO, BUSCANDO SABER, DEPOIS, O QUE ACONTECEU.” Pensamento inteligente, legitimamente voltado para o que hoje espelha uma boa parte da humanidade.
Este Conselho se vê no agradável dever de agradecer às entidades abaixo e que honrosamente subscrevem este manifesto, pelas manifestações de apoio que se dignaram emprestar a este relatório-desabafo, cujas reivindicações aqui expendidas serão encaminhadas aos dirigentes da Cassi, para posterior divulgação a todos os usuários.
VITÓRIA (ES), 09 de setembro de 2008.
Francisco Carlos Torres Ferreira Luiz Álvaro de Barros Faria
Coordenador Conselho Usuários Presidente da AFABBES
Aquiles Paula de Freitas –CREDBRASIL- Wana Rocha-Sind.Bancários